Modelo de negócios e branding: qual a relação?

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Você pode até se enganar. Pode achar, por exemplo, que a solução em seu mercado é investir em um modelo de negócios único e jamais pensado em toda a história de seu segmento. É algo bonito de se dizer (e pode até ser verdade!), mas é preciso refletir: o novo já nasce velho. Especialmente em um mundo em que o fluxo de informação é gigantesco e veloz!

Mas, além de um cenário em que informações e tendências surgem o tempo todo, existe uma importância estrutural em estabelecer um modelo de negócios. É preciso perceber que inovações partem, também, de uma evolução. E compreender o mercado envolve entender o que transforma essa evolução em um modelo de negócios forte para seu branding.

Quando se fala na gestão de marcas de sua empresa, é importante que seu modelo de negócios funcione de maneira inteligente e alinhada. Quer conhecer um exemplo disso?

Veremos, a seguir, como a Amazon lidou com essa questão e virou case em mais essa área. Acompanhe!

A Amazon ainda é um exemplo de modelo de negócios a ser seguido!

Sim, é preciso falar da Amazon! Se você gosta de consumir conteúdo sobre branding, marketing, administração e economia, deve estar achando tudo muito previsível. Com certeza você leu A Cauda Longa (caso não tenha lido: leia!) e nada disso é novidade.

Ainda assim, é importante contextualizar. Afinal, o que Jeff Bezos decidiu fazer com a Amazon foi inovador, mas também a evolução de uma ideia tradicional! Tudo começou em 1995 e Bezos, com 30 anos na cara, viu naquela tal de Internet uma chance para novos negócios.

Claro, não foi só ele. Na época em que Malhação ainda era estreia na Rede Globo (sim, faz tempo isso!) a Internet deslumbrava as pessoas. A impressão que se tinha é de que o modelo de negócios tradicional nunca mais seria o mesmo. Tudo seria virtual, o que significaria que os métodos e as práticas de lojas físicas deixariam de existir totalmente.

Na virada da década, o que aconteceu de verdade foi que essa bolha acabou estourando. Mas isso você também já sabe, não é mesmo? A confiança no mercado “ponto com” era grande e os investimentos estavam passando dos limites. Empresas faliram, outras jamais conseguiram retornar.

Dentre as que sobreviveram, estava lá a Amazon. O segredo? Um modelo de negócios com uma base forte e tradicional. O mercado de varejo que Jeff Bezos vislumbrava para os

canais eletrônicos não era uma novidade. Era a evolução de algo sólido. Um modelo de negócios de vendas centenário com um método de vendas revolucionário para o século XIX: o catálogo da SEARS.

A inovação que surgiu com uma lição do século passado

O esquema de vendas de catálogo da SEARS é outra grande história, e foi a inspiração de Bezos. Um carregamento de relógios enviados por engano foi comprado pelo ainda garoto Richard Sears. Era 1886, esse esquema de “estagiário” ou “Pequeno Aprendiz” não existia!

 

O que interessa nessa história é que o famoso catálogo era extremamente bem escrito e distribuído nos vagões de trem pelo próprio Sears. Os passageiros escreviam o pedido marcando o relógio que eles queriam e, depois de muitos dias úteis, recebiam por correio a encomenda.

A ideia do catálogo evoluiu e, em 1896 surgiu o Wish Book, um calhamaço do tamanho de uma lista telefônica. OK, dependendo da sua idade, talvez você não saiba o que é uma lista… enfim, Google it! Ele era distribuído por correio também, e foi influente para o mercado de varejo dos Estados Unidos. Era o coração do modelo de negócios pré-Internet.

Jeff Bezos foi cavar uma oportunidade nisso. Adivinha qual era um dos produtos menos vendidos nesse método de catálogos? Livros. Era um nicho, claro, mas havia um mercado a ser explorado e interesse de compra. O gargalo estava somente nessa distribuição de venda por catálogo.

A Internet dessa época já tinha espaço pra um catálogo? Sim, para muitos catálogos! Catálogos online para anunciar a maioria dos itens que vendem para uma cultura de nicho emergente. Nascia a ideia da gigante empresa avaliada atualmente em 139,3 bilhões chamada Amazon.

Mas e a relação com modelo de negócios e branding, onde está?

Está aqui neste parágrafo e nos próximos, juro! Demorou bastante, mas era preciso contextualizar! A história da Amazon e da Sears continuam sendo relevantes, não acha?

O que Jeff Bezos conseguiu provar com a Amazon é simples: um modelo de negócios robusto consegue sobreviver no mercado, mesmo em meio a uma bolha econômica. No caso da Amazon, ter a ação cotada em 209 dólares na bolsa de valores em 1999, enquanto empresas perdiam para a primeira grande onda de negócios na Internet.
Inovar no branding não significa seguir um modismo ou ceder a um imediatismo vazio. Significa absorver valores que façam sua marca desempenhar com o máximo de qualidade. Significa fornecer ao seu cliente aquilo que a percepção de sua marca cumpre enquanto outros não passam do básico.

Amazon

Significa, no caso da Amazon, explorar uma demanda de mercado e utilizar os algoritmos de recomendação para potencializar as vendas e fazer com que isso transforme a experiência de consumo.

Ah, sim, e o logotipo tem uma seta que liga o “a” ao “z”. Já percebeu isso? Isso porque em uma prateleira virtual tem tudo “de A a Z”? Fala-se nisso bastante, também, você já deve ter lido. Amazon foi uma palavra escolhida porque começava com “A”, e isso fazia “Amazon” ser praticamente uma palavra-chave nas listas de divulgação da época, pela ordem alfabética.

Ainda, Bezos selecionou o nome de Amazon, porque era uma escolha exótica e diferente, atributos que ele imaginava adicionar à sua empresa. Outro ponto a favor da escolha foi nosso conhecido rio Amazonas, o maior rio do mundo (segundo alguns estudos), uma vez que Bezos não pensava pequeno: também queria que sua loja fosse a maior do mundo!

Uma empresa como a Amazon é um exemplo repetido, mas não é à toa. Seu modelo de negócios e sua gestão de marcas são integrados. A partir de uma base de modelo de negócios sólida, um branding competente ganha força e se torna influente nas estratégias da empresa. É questão de evoluir.

Como o modelo de negócios de sua empresa conversa com o seu branding? Ou não há interação entre esses dois? Compartilhe suas dores e experiências nos comentários. Até a próxima!

 

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